Como atrair o público de SEU interesse para SEU estande.

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Como atrair o público certo para o seu estande em Feiras de Negócios


Ideias práticas para tornar seu estande mais atrativo, funcional e alinhado ao público que realmente importa, o público de SEU interesse



Este post reúne ideias e sugestões práticas para ajudar Expositores a receber em seu estandeo público de SEU real interesse.


Menos imagens, mais clareza

Um estande carregado de imagens não funciona. O excesso de informações (imagens, cores, padrões) causa poluição visual e desconforto. Seu espaço deve ser receptivo e agradável, tanto para olhar quanto para estar nele.

Prefira poucas imagens, mas que sejam relevantes, grandes e de boa qualidade.

Uma boa comunicação visual mantém uma coerência estética em toda a participação: as imagens exibidas no estande devem ser as mesmas, ou no mínimo correspondentes, às utilizadas na campanha pré-evento. As imagens podem aparecer em diversos formatos, como:

  • Materiais digitais pré-evento: site institucional, landing pages (páginas específicas da campanha), blog corporativo, newsletter, e-mail marketing e assinaturas de e-mail (rodapé dos emails corporativos).
  • Materiais impressos: flyers, convites, tickets, cupons, papel timbrado etc.
  • Mídias físicas e híbridas de experiência: fundos instagramáveis, QR Codes aplicados em elementos físicos, projeções, telões, games e filtros digitais.
  • Merchandising no evento: estruturas térreas ou aéreas, interativas ou não, de acordo com o espaço disponível e as regras da promotora.

Toda campanha de comunicação exige design profissional, coerente e de impacto. Se deseja resultados consistentes, faça um bom planejamento visual e conte com agências especializadas para o desenvolvimento das peças. O departamento de marketing da empresa já estará naturalmente focado na execução do evento.

Apesar do investimento, uma campanha bem planejada pode ser adotada em vários eventos, podendo ser inclusive utilizada em outros contextos, como eventos proprietários, treinamentos, cursos, campanhas internas e datas comemorativas.

O importante é adotar campanhas coerentes e consistentes, seja uma nova campanha a cada ano, biênio ou de longo prazo. Quando aplicadas com propósito, as campanhas reforçam a mensagem e o valor da marca.



Quando o evento cansa, o estande pode acolher

As Feiras de Negócios estão cada vez mais objetivas e menos custosas para as promotoras. Em contrapartida, tornaram-se mais complexas, exigentes e caras para todos os demais envolvidos, especialmente para os Expositores e para o público visitante.


🔍 O que mudou no desenho das Feiras

Antigamente, falo especificamente da década de 90, a maioria das plantas físicas das Feiras era diferente. Havia corredores mais largos, pequenas praças nos cruzamentos das ruas, bancos e até algum paisagismo. Muitos desses espaços já apareciam no mapa de comercialização e funcionavam como pontos de respiro para quem enfrentava longas caminhadas até a Feira e dentro dela.

Hoje, quase nada disso existe. Áreas de descanso pré-planejadas são raras; os poucos assentos costumam ficar restritos às praças de alimentação, quando existem.

A grande questão é: quantas promotoras realmente pensam na Experiência do Cliente–Visitante?


🔍 A jornada real do visitante

A jornada do visitante é longa e cansativa. Ela começa antes mesmo da Feira: no trânsito até o local do evento, na dificuldade para encontrar vaga para estacionar ou nos bolsões de estacionamento distantes do pavilhão. Depois vêm o deslocamento até a entrada, a fila no credenciamento e, já dentro do pavilhão, a percepção do tamanho do desafio.

São longos corredores, multidões e filas para tudo: para o banheiro, para o café, para um bebedouro ou um simples copo d’água. Filas para comer um lanche, muitas vezes em pé, sem lugar para sentar. Quando a alimentação é terceirizada ou compartilhada com áreas de shopping, o visitante ainda precisa disputar elevadores, escadas rolantes e mesas com o público externo.

Uma experiência como visitante em uma Feira B2C

Essa jornada pode se tornar ainda mais desafiadora, e excludente, quando o deslocamento é feito por transporte público. Vivi isso de forma direta ao acompanhar um grupo de pessoas com deficiência em uma Feira B2C.

A promotora informava que haveria vans disponíveis no metrô e que o transporte seria acessível para PCDs. Na prática, nenhuma das duas promessas se cumpriu.

Ao sair da estação, fomos informados de que o ponto das vans ficava a três ou quatro quarteirões dali. O trajeto incluía calçadas estreitas e esburacadas, além de ladeiras íngremes. No grupo, éramos quatro pessoas com próteses de perna (algumas utilizando órteses, como bengalas ou muletas), três cadeirantes, uma pessoa com síndrome de Down e outras pessoas com limitações variadas, inclusive uma senhora idosa.

Todos caminhamos até o suposto ponto das vans. Lá, ficamos mais de uma hora aguardando até que o transporte prometido fosse providenciado para os cadeirantes, já que cadeiras de rodas não entram em vans comuns, com bancos tipo lotação. Enquanto isso, aqueles que poderiam entrar nas vans aguardavam em uma longa fila, sem qualquer tipo de acesso preferencial. A quantidade de vans era incompatível com a quantidade de público, a sensação era de abandono, desorganização e completo descaso, em pleno bairro do Jabaquara, em São Paulo.

Acompanhei todo o processo até o desembarque da última pessoa. Quando finalmente cheguei à porta do pavilhão, desabei a chorar. Não por cansaço físico apenas, mas por um profundo sentimento de constrangimento e humilhação que eu e minhas colegas vivemos.

Aquilo não foi um “imprevisto logístico”. Foi a consequência direta de não se pensar, de fato, na Experiência do Cliente-Visitante. E o efeito foi imediato e definitivo: fiquei apenas 30 minutos da Feira para ver um expositor e deixei minhas colegas com nossa professora, foi embora e nunca mais voltei à nenhuma edição do evento.

 

🔍 Quando o ambiente também afasta

Além dos deslocamentos, há ainda o ambiente em si: por vezes barulhento, abafado e/ou visualmente saturado. O cenário, que deveria ser inspirador, pode rapidamente se tornar desgastante e desestimular até os mais interessados.

E, como se não bastasse, as grandes Feiras raramente oferecem áreas fechadas de descanso, pontos de recarga ou acesso fácil à internet, com conforto e climatização. Muitas promotoras economizam justamente onde o visitante mais precisa de cuidado. O resultado é previsível: pessoas cansadas, irritadas e sem disposição para conversar.

Poucos organizadores priorizam o bem-estar do público. São raros os eventos, especialmente os B2C, que realmente compreendem que experiência não é discurso, é prática.



Transforme o seu estande em um ponto de pausa e conexão

Enquanto o entorno é barulhento, quente e exaustivo, o seu espaço pode representar alívio. Um ambiente agradável, silencioso, com ar fresco, assentos confortáveis e uma recepção cordial é suficiente para transformar a percepção da sua marca.

Faça do seu estande uma Experiência. Crie uma pequena área de hospitalidade. Ofereça água, café, wi-fi, tomadas para recarga e, principalmente, um atendimento humano. O visitante que se sente acolhido permanece mais tempo, ouve com atenção e guarda uma lembrança positiva do encontro.

Observe se a promotora já oferece algum tipo de serviço e, a partir disso, planeje uma estratégia diferenciada. Use o que falta no evento a seu favor.

Lembre-se: hospitalidade é comunicação silenciosa. Ela transmite cuidado, gera confiança e transforma o seu estande em um ponto de pausa no meio do caos.

Um estande bonito, moderno e acolhedor é memorável. E uma marca que cuida é a primeira a ser lembrada quando o visitante vira cliente.



Expositor, use os recursos da promotora para direcionar o público certo até seu estande

Algumas promotoras oferecem soluções de patrocínio, merchandising e mídia que podem ajudar a direcionar o público de interesse até o seu estande. Algumas dessas opções são mais comuns em Feiras de pequeno e médio porte e, quando bem escolhidas, ampliam a visibilidade da marca e comunicam sua presença de forma estratégica ao visitante.

Verifique junto à promotora se existem oportunidades para inserir sua logomarca ou sua marca em:

Áreas estratégicas do evento:
  • Credenciamento (totens de autoatendimento, balcões ou backdrops);
  • Ambientes de auditórios e eventos paralelos (congressos, fóruns, painéis), como mesas de coffee-break, lounges para congressistas ou áreas de circulação;
  • Sala de imprensa, estações de recarga e/ou pontos de power bank;
  • Instalações sensoriais ou áreas de experiência, quando compatíveis com o perfil do evento.
Merchandising digital:
  • Inserções em newsletters oficiais da feira;
  • Posts nos canais institucionais da promotora;
  • Aplicativos do evento;
  • Mapas interativos e plataformas digitais de navegação.
Sinalização física:
  • Banners suspensos / banners de rua;
  • Adesivos de piso;
  • Capas de cadeiras nos auditórios;
  • Painéis de direção (wayfinding*), que auxiliam o visitante a localizar o seu estande ao longo do percurso.
Merchandising físico itinerante:
  • Sacolas oficiais do evento ou pastas dos congressistas;
  • Rótulos de água ou itens de apoio dispostos nas mesas de palestrantes (blocos, canetas), sua marca aparece, inclusive, nos registros fotográficos oficiais.
Mídia experiencial tecnológica:
  • Avatares com IA generativa ou aplicada à experiência do visitante;
  • Ações de gamificação;
  • Realidade virtual, aumentada ou mista;
  • Projeções outdoor ou indoor - em pisos, paredes, fachadas/paredões do pavilhão ou de prédios próximos;
Holografias e ambientes imersivos:
  • Ativações robotizadas;
  • Robôs quadrúpedes (mais conhecido como cachorro robô);
  • Robôs humanoides;
  • Drones indoor, programados para interação, orientação ou ações de visibilidade.

Ao avaliar essas oportunidades, analise quais canais realmente dialogam com o seu público de interesse e em que momento da jornada do visitante eles fazem mais sentido. Uma ação bem escolhida e estratégica amplia o alcance da sua marca, filtra e atrai visitantes mais qualificados, aumentando as chances de conversão e relacionamento.



Expor menos pode comunicar mais

Não leve toda a sua linha para o evento. Foque no carro-chefe, nas novidades ou em lançamentos recentes. Evite poluir visualmente o estande com excesso de produtos ou informações.

Se desejar mostrar a linha completa, produza catálogos ou fotografias de qualidade para apresentar aos visitantes de interesse. Considere versões digitais e o uso de IAs para oferecer uma experiência mais personalizada.

Atenção: em caso de equipamentos pesados, verifique as regras de acesso ao pavilhão. Grandes veículos ou máquinas costumam ter datas e horários específicos para entrada, geralmente antes da descarga de materiais mais leves relacionados à montagem. Consulte a promotora nessas situações.



Brindes não são isca: são posicionamento


Evite a distribuição indiscriminada de brindes. Filas e aglomerações em frente ao estande podem bloquear a circulação, gerar ruído visual e afastar justamente o público mais qualificado.

Se o objetivo é atrair decisores, tipo diretores, VPs ou CEOs, priorize ações personalizadas e estratégicas, capazes de transmitir valor, critério e exclusividade.

Planeje experiências ou entregas alinhadas ao posicionamento da sua marca e que façam sentido para o visitante certo, aquele parte do seu público de interesse. Um item útil, sustentável ou carregado propósito tende a gerar lembrança positiva e reforçar a percepção de valor da sua marca.

Um ponto de atenção importante: o brasileiro é, culturalmente, cordial e educado. Em pesquisas aplicadas imediatamente após uma ação, especialmente quando o visitante enfrentou fila ou esforço para receber um brinde ou participar de uma degustação, as respostas tendem a ser positivas por educação, constrangimento social ou gratidão momentânea.

Esse tipo de feedback, embora válido, nem sempre reflete a experiência real de forma profunda. Avaliações mais consistentes costumam surgir após algum distanciamento do evento, algumas horas ou dias depois, quando a emoção do momento já passou e o visitante consegue refletir com mais clareza sobre a abordagem, o produto e a marca. É nesse intervalo que surgem percepções mais honestas e acionáveis.

Por isso, além da ação em si, pense também no momento certo de ouvir o seu público. O timing da pesquisa influencia diretamente a qualidade da resposta.



Dica Extra: Cada lead tem valor, e precisa ser tratado como tal

Coletar leads é essencial, mas preservar os dados captados é uma responsabilidade ética e estratégica. Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer o valor de cada lead, considerando o investimento gasto para captá-lo.

Veja algumas práticas recomendadas de segurança e relacionamento:

  • Não mantenha o banco de dados exposto na rede;
  • Utilize sistemas de CRM para armazenar e atualizar dados, registrando e acompanhando todas as interações;
  • Trate cada lead com atenção e segmentação, evitando mensagens genéricas;
  • Defina o perfil de cada visitante e adote estratégias de Inbound Marketing antes de realizar follow-ups, newsletters ou e-mail marketing;
  • Nutra seus leads de forma regular com conteúdos de valor

Uma forma prática de refletir sobre o valor de cada lead é calcular o custo por lead qualificado em cada evento. Por exemplo:

  • Área do estande: $ xx mil
  • Custos operacionais (estande, campanhas, comunicação visual, staff etc.): $ xxx mil
  • Custos do sistema de CRM (rateio por lead, considerando x mil leads qualificados captados)
  • Outros custos operacionais
Somando todos os valores, é possível determinar o custo unitário de cada lead qualificado.

Qual seria o valor de cada lead qualificado no seu estande?

Essas ações demonstram respeito e profissionalismo, fortalecendo a confiança do visitante e a reputação da sua marca.


$audaçõe$, com visão e propósito!


Feiras e Exposições
O que todo Expositor deve saber
Por: Anne Sophie Matthey-Henry
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* Tipos de wayfinding em feiras e eventos:

  • Plantas e mapas do evento (impressos ou digitais);
  • Placas direcionais (“Auditórios”, “Banheiros”, “Praça de Alimentação”, “Pavilhão X”);
  • Adesivos de piso indicando fluxos e caminhos;
  • Totens de orientação;
  • Códigos de cores para setores, ruas ou pavilhões;
  • Sinalização aérea (banners suspensos, números de ruas);
  • Mapas interativos em aplicativos ou totens digitais.
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Leitura com trilha

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