Os Novos 4P’s aplicados às Feiras de Negócios - Parte II

⏱️ 18 min (full)


Os Novos 4P’s aplicados às Feiras de Negócios - Parte II

Uma visão 360º para resgatar a essência dos eventos, redefinir as relações, o profissional, o território e o futuro do setor.


Como mencionado no artigo anterior, os Novos 4 P's envolvem uma estrutura sistematizada, desenvolvida e difundida pelo Future Concept Lab, que propõe uma mudança de olhar: deslocar o foco de variáveis exclusivamente estruturais e operacionais, para dimensões humanas, espaciais, simbólicas e sistêmicas.

No artigo anterior busquei apresentar a metodologia dos novos 4 P’s — People, Places, Plans e Projects — aplicada ao universo das Feiras de Negócios, revelando camadas frequentemente negligenciadas pelos modelos tradicionais de planejamento, operação e avaliação de eventos.

Incentivada pela brilhante Vanessa Martin — minha primeira referência na docência em eventos — escrevo estas linhas com a intenção de provocar uma ruptura. Quero tirar o Organizador de Eventos da zona de conforto operacional e trazê-lo para a responsabilidade de ser um catalisador de transformações reais.



É fato, já largamente debatido e fomentado na atualidade, que o mergulho dos eventos nas mais diversas tecnologias disponíveis, têm apresentado contatos e networking cada vez mais rasos e frágeis, instantâneos e dispersos, tornando os eventos efêmeros. Em uma recente conversa com amigos, profissionais de comunicação, discutíamos a fragilidade e a superficialidade das conexões humanas e de repente a frase de um deles me atravessou e permaneceu ecoando:
“vivemos tempos de conexões mais rasas que um pires”. Na nossa conversa tentávamos encontrar alguma razão por trás desse “estado febril” e analisávamos possíveis soluções. Logo minha mente já fervilhava sincronizando o tema dos novos 4P’s, o incentivo de Vanessa, e meu atual estudo na linha das experiências humanas. 

Assim surgiu essa sequência, não apenas criticando a superficialidade, mas propondo que o Organizador de Eventos deixe de ser apenas um operador logístico e se torne um arquiteto de relações humanas. Espero que seja contribuição.


Contexto

Primeiramente, é necessário contextualizar que essa crescente superficialidade nas relações humanas foi notada apenas nos anos 80 e formalizada por Bauman através de seu primeiro livro Modernidade Líquida, em 2000. Mas a ideia já vinha sendo construída antes. O próprio Bauman afirma que Modernidade Líquida conclui uma reflexão iniciada em livros anteriores. Em 1980 e 1990, Bauman falava muito mais em pós-modernidade do que em modernidade líquida. Depois ele passou a considerar que o termo "pós-modernidade" era inadequado. Sua conclusão foi: “Não saímos da modernidade; a modernidade apenas mudou de estado.” 

Assim surgiu a possibilidade de conceituarmos: 

A grosso modo, no estado "Sólido", as Feiras de Negócios eram catálogos vivos. No "Líquido", tornaram-se redes de relacionamento. No "Gasoso", tornaram-se "fotos para o Instagram".

Hoje presente em todo o globo, o termo Modernidade Gasosa, já amplamente utilizado, é um estado que não existe em si mesmo de forma isolada nos negócios, nas relações pessoais, profissionais ou de consumo. O que existe hoje é uma superficialidade generalizada e pulverizada em todas as sociedades gerando uma dispersão imediatista, instantânea, num formato de instabilidade. E nesse contexto tudo é impactado, inclusive os eventos e as Feiras de Negócios. O cenário que vai surgindo é um esvaziamento de sentido.

Não quero aqui me concentrar nos conceitos de Modernidade Líquida ou na mudança para o estado “gasoso”, ou ainda prever o termo do próximo estado. Bauman não viveu para analisar profundamente uma sociedade moldada pela conectividade digital, ou pela interação contínua entre seres humanos e inteligência artificial. Deixo essa análise, conceituação e previsões de futuro nas mãos dos incríveis filósofos da atualidade.

Mas o contexto de fato é: Vivemos a era da 'viagem pela foto', onde o evento se torna um cenário de fundo e não o destino intelectual. O perigo reside no fato de que muitos gestores estão celebrando o engajamento digital (likes e compartilhamentos) enquanto ignoram o esvaziamento de sentido que ocorre no chão do pavilhão.

Considerando as Feiras, algumas Promotoras ainda continuam com o objetivo de fazer eventos cada vez maiores, com foco nos números e indicadores lindamente diagramados, esperando que estes sejam a justificativa suficiente para garantir as novas adesões. Outras Promotoras estão focadas nas experiências imersivas, tecnológicas e “instagramáveis”, esperando que os algorítmos contribuam com a divulgação. Enquanto que poucas estão concentradas no ritmo e no impacto das conexões humanas autênticas e genuínas, aquelas que transformam. Conexões sustentáveis e de longo prazo, que geram novos ciclos, que por sua vez são contínuos e duradouros. Ciclos completos que integram aprendizado, conhecimento, investimento, tecnologia, avanço, crescimento e aplicações que transcendem.


A metáfora do Farol de Transformação:

Um evento que ilumina apenas a si mesmo é um monumento ao ego da organização. Um evento que atua como Farol é aquele que projeta luz sobre os problemas, propondo soluções, impactando pessoas e transformando setores inteiros. A tecnologia robótica é fria; o Farol é calor, é guia, é visão 360º. 


Acredito que sou a caçula de uma geração de Organizadores de Eventos que respiravam e transpiravam transformação. Aprendi que os eventos devem promover luz e clareza para o caminho de todos os envolvidos, direta ou indiretamente. E neste sentido esta transformação não é alcançada por experiências imersivas, cenários ‘Instagramáveis’ ou tecnologias robóticas frias, mas sim por uma visão 360º genuína que integra o humano ao sistêmico. Estou falando aqui da autorresponsabilidade das Promotoras e dos Organizadores de Eventos em se perceberem como ‘arquitetos’ de uma nova cultura organizacional dos eventos, uma nova cultura que tenha um foco real nas relações humanas. Já é tempo dos eventos terem um novo ritmo e um campo de impacto transcendente.


Algumas sugestões para aplicar os novos 4P’s:

Os Novos 4 P’s aplicados às Feiras de Negócios

⏱️ 13 min (full)


Os Novos 4 P’s aplicados às Feiras de Negócios

People • Places • Plans • Projects




A metodologia dos novos 4 P’s — People, Places, Plans e Projects — constitui uma estrutura analítica distinta dos tradicionais 4 P’s do marketing. Trata-se de uma abordagem associada ao campo do coolhunting e da análise de tendências, a partir de uma perspectiva interdisciplinar voltada à leitura de comportamentos, contextos culturais e dinâmicas emergentes da sociedade.

Mais do que um modelo classificatório, essa estrutura sistematizada, desenvolvida e difundida pelo Future Concept Lab, propõe uma mudança de olhar: deslocar o foco de variáveis exclusivamente estruturais e operacionais, normalmente baseadas em métricas de performance, para dimensões humanas, espaciais, simbólicas e sistêmicas. Sua relevância reside precisamente nesta capacidade de ampliar a interpretação dos fenômenos contemporâneos.

Quando aplicada ao universo das Feiras de Negócios, essa abordagem revela camadas frequentemente negligenciadas pelos modelos tradicionais de planejamento, operação e avaliação de eventos.

People • Places • Plans • Projects | Uma nova visão


A aplicação em Feiras de Negócios

As Feiras de Negócios foram historicamente interpretadas sob uma lógica predominantemente instrumental. Indicadores, metas, fluxos operacionais, estratégias comerciais e análises de desempenho constituíram, por décadas, o eixo central das discussões sobre a sua eficácia. Essa leitura, embora necessária, revela-se no contexto contemporâneo, insuficiente. Eventos não se restringem à condição de plataformas transacionais. Configuram-se como sistemas complexos de interação humana, espacial, simbólica e relacional. Os eventos, hoje, são estruturas que demandam uma compreensão ampliada e integrada. Ao longo dos anos, o setor de eventos evoluiu em escala, tecnologia e sofisticação estrutural. Paradoxalmente, observa-se, em diversos contextos, a intensificação dos estímulos acompanhada por uma progressiva escassez das conexões humanas autênticas. Ambientes cada vez mais densos em conteúdo e estímulos não necessariamente se traduzem em experiências mais significativas. Sob essa perspectiva, torna-se pertinente expandir os modelos analíticos tradicionais, incorporando dimensões capazes de interpretar o evento para além da sua função primária. É nesse cenário que emerge a proposta dos Novos 4 P’snão como substituição dos referenciais clássicos, mas como expansão interpretativa. Trata-se de um deslocamento de olhar, na busca de uma visão mais panorâmica, humana, integral, total. Mais do que instrumentos voltados exclusivamente à obtenção de resultados, os eventos passam a ser compreendidos como organismos sistêmicos, nos quais experiência, percepção, interação e significado constituem variáveis estratégicas.

Como nascem os resultados em Feiras?

⏱️ 20 min (full)


Promotora educadora + Expositor assertivo + Montadora eficiente


As decisões invisíveis que determinam o sucesso (ou o fracasso) de um estande em Feiras de Negócios


Poucos Expositores percebem que o maior risco de uma Feira de Negócios não está no público, na concorrência ou na promotora. O maior risco está nas escolhas feitas antes do evento, muito antes do pavilhão abrir. Contratar uma montadora como quem contrata um buffet ou uma comunicação visual é um erro silencioso, mas frequente, que pode comprometer a reputação da marca, gerar custos inesperados e reduzir drasticamente o potencial de retorno do evento.

Isso porque um estande não é um “espaço montado”: é a materialização da marca dentro do evento. E é dentro desse ambiente onde as cores, o branding, o posicionamento, os produtos, as narrativas e a presença da empresa se tornam vivos, diante de todo um segmento e mercado. Em uma Feira de Negócios o estande representa a marca da empresa, viva e ao vivo. O estande é o palco onde a equipe da empresa acolhe visitantes, cria experiências, gera conversas estratégicas e transforma encontros em negócios.


"O estande é mais que uma estrutura física; é uma expressão viva do posicionamento da marca no mercado.


E é justamente por isso que o briefing bem conduzido, o projeto adequado e a escolha da montadora certa influenciam diretamente o ROI, a credibilidade e a visibilidade do Expositor. Sem isso, nenhum planejamento compensa; com isso, os resultados se multiplicam.

Entenda que os resultados em Feiras de Negócios são co-criados...


"A promotora educadora, o Expositor assertivo e a montadora eficiente formam uma tríade que atua em sincronia, com um conhecimento que legitima, uma autoridade que fortalece e um poder que realiza. É dessa coordenação madura que nascem os resultados que importam."




Neste artigo, você encontrará critérios objetivos e profissionais para avaliar uma montadora verdadeiramente eficiente, uma parceira estratégica capaz de transformar seu estande em uma ferramenta de performance, e não apenas em uma estrutura.


Nem todo evento grande é, de fato, grandioso.

⏱️ 4 min (full)


Nos bastidores, é a sustentabilidade, e não o tamanho, que determina a força de um evento.


Nos bastidores da indústria de eventos, existe uma diferença sutil, porém essencial, entre crescer e sustentar o crescimento.

O brilho dos grandes eventos encanta. Luzes, palcos, números impressionam. Mas é fora do palco, ou seja nos bastidores, que se revela a verdadeira força de um evento: sua coerência, seu propósito e sua consistência ao longo do tempo.

Nem tudo o que é grande é, de fato, profundo. Em alguns eventos isso fica evidente: quanto maior o público, mais complexa a estrutura e, paradoxalmente, menores podem ser as trocas reais.


Crescimento orgânico importa mais que tamanho


Crescimento orgânico importa mais que tamanho

O verdadeiro desafio não está em fazer um evento crescer, mas em mantê-lo saudável ao longo dos anos.

Eventos sustentáveis, inclusive do ponto de vista financeiro, costumam nascer menores, crescer gradualmente e respeitar uma periodicidade coerente até alcançar o seu teto natural.

Quando o crescimento deixa de ser orgânico e passa a ser acelerado artificialmente, a base se fragiliza. Curvas de crescimento excessivamente rápidas revelam estruturas frágeis. E quando a expansão se estabiliza, fica claro que o problema nunca foi crescer, e sim sustentar o próprio tamanho.

Os encontros que realmente transformam seguem outro ritmo. São menores, mais silenciosos e, por isso mesmo, mais significativos. Sua força está na escuta, na qualidade das conversas e na conexão genuína entre quem participa.

“E foi observando diferentes formatos de eventos que percebi como esse equilíbrio (entre o crescimento e a sustentabilidade) se manifesta na prática.”