10 agosto, 2026

Série: Como transformar a "Fuga dos Eventos" em Relacionamento Real? (1/4)

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Estratégias 360º para quebrar a inércia da Modernidade Gasosa e resgatar o valor da presença.

A Ponte entre o Diagnóstico e a Solução

No artigo anterior, exploramos o labirinto da resistência através da pergunta: "Por que algumas marcas fogem dos eventos corporativos, mesmo diante de resultados comprovadamente positivos?" Diagnosticamos que essa fuga não é um erro de marketing, mas um sintoma sociológico da Modernidade Gasosa, um estado de exaustão, com dispersão digital e colapso do capital social que transformou o encontro humano em um fardo ineficiente.

E, como todo diagnóstico correto exige um tratamento, vamos analisar nesta série algumas propostas. Se já entendemos por que as empresas se escondem atrás do "não temos budget" ou do "já fechamos nosso calendário", chegou a hora de fazermos outra pergunta: "como devolvemos a elas a vontade de aparecer?"

A tese desta série é simples de enunciar, mas difícil de praticar: o evento não é um custo de exposição, é um investimento em Hospitalidade Genuína e Sinergia Humana. Só muda de fuga para presença quem entende que o pavilhão precisa parar de cobrar e passar a acolher.


Vamos começar pelo primeiro dos quatro fatores.

02 agosto, 2026

Por que empresas fogem de eventos?

 ⏱️ 3 min (full)


O labirinto da resistência na era gasosa.


Apesar dos inúmeros relatos de sucesso e do impacto inegável dos eventos e Feiras de Negócios, Promotores ainda enfrentam uma barreira invisível: a resistência de empresas que, embora pudessem prosperar no pavilhão, escolhem o isolamento. A pergunta que ecoa nos departamentos comerciais é: “Por que algumas marcas fogem dos eventos corporativos, mesmo diante de resultados comprovadamente positivos?”

Talvez a resposta não esteja na estrutura dos eventos em si, mas nas profundas transformações culturais que vêm moldando a nossa percepção sobre relacionamentos, tempo e geração de valor.






 

O Fim da Era de "Venda Fácil"

Até o final dos anos 90, as Feiras de Negócios eram envoltas em uma aura de "magia" e credibilidade imediata. A percepção de valor era intrínseca; não era necessário justificar exaustivamente o investimento. O networking acontecia de forma orgânica e a presença física era o padrão ouro da confiança. 

Contudo, a partir de 2010, o cenário começou a mudar. A "Modernidade Gasosa" trouxe uma volatilidade que foi transformando a venda do metro quadrado em um desafio psicológico. Empresários passaram a se esconder atrás de justificativas como “não temos budget” ou “o calendário está fechado”. Mas, observando atentamente, fui percebendo que a resistência era mais profunda. 

Como visitante (nos dias atuais), tenho sentido na pele uma "preguiça" de enfrentar corredores intermináveis e a exaustão física, de ambientes que não acolhem o ser humano. Se para o Visitante a feira se tornou fisiologicamente punitiva, para o Expositor ela passou a ser vista sob a lente implacável do curto prazo — uma busca frenética por leads que comprem dentro do trimestre para justificar o "custo".




As Hipóteses do Afastamento 

Penso que a "fuga" dos eventos presenciais, por parte de algumas empresas, não é um erro de marketing, mas um sintoma sociológico. Abaixo, proponho quatro hipóteses fundamentadas para compreendermos este comportamento: 

09 julho, 2026

O Legado Começa com uma Pergunta

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Como eventos transformam setores ao abrir espaço para problemas reais 


Em meu artigo anterior, discuti como os Novos 4 P’s e a Visão 360º podem resgatar a essência das Feiras de Negócios em meio à dispersão da Modernidade Gasosa. Defendi que um evento deve atuar como um Farol, iluminando caminhos e não apenas a si mesmo. Hoje, quero trazer um exemplo concreto e corajoso da aplicação do potencial do P de Projects. Recentemente vi no meu feed do LinkedIn uma publicação de Renato Cordeiro sobre o Modern Construction Show e sua recente parceria estratégica com a SOBRATEMA. O evento se posiciona como mais do que uma feira; ele se propõe a ser o epicentro da transformação da construção civil industrializada no Brasil. Contudo, a verdadeira beleza deste evento não reside apenas no aspecto comum de um grande evento com Feira de Negócios e Congresso, com estandes e visitantes, mas na sua coragem de expor as feridas do setor.



Talvez o maior legado de um evento não seja aquilo que ele mostra, mas aquilo que ele faz uma indústria passar a enxergar.

 

19 junho, 2026

Os Novos 4P’s aplicados às Feiras de Negócios - Parte II

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Uma visão 360º para resgatar a essência dos eventos, redefinir as relações, o profissional, o território e o futuro do setor.


Como mencionado no artigo anterior, os Novos 4 P's envolvem uma estrutura sistematizada, desenvolvida e difundida pelo Future Concept Lab, que propõe uma mudança de olhar: deslocar o foco de variáveis exclusivamente estruturais e operacionais, para dimensões humanas, espaciais, simbólicas e sistêmicas.

No artigo anterior busquei apresentar a metodologia dos novos 4 P’s — People, Places, Plans e Projects — aplicada ao universo das Feiras de Negócios, revelando camadas frequentemente negligenciadas pelos modelos tradicionais de planejamento, operação e avaliação de eventos.

Incentivada pela brilhante Vanessa Martin — minha primeira referência na docência em eventos — escrevo estas linhas com a intenção de provocar uma ruptura. Quero tirar o Organizador de Eventos da zona de conforto operacional e trazê-lo para a responsabilidade de ser um catalisador de transformações reais.



É fato, já largamente debatido e fomentado na atualidade, que o mergulho dos eventos nas mais diversas tecnologias disponíveis, têm apresentado contatos e networking cada vez mais rasos e frágeis, instantâneos e dispersos, tornando os eventos efêmeros. Em uma recente conversa com amigos, profissionais de comunicação, discutíamos a fragilidade e a superficialidade das conexões humanas e de repente a frase de um deles me atravessou e permaneceu ecoando:
“vivemos tempos de conexões mais rasas que um pires”. Na nossa conversa tentávamos encontrar alguma razão por trás desse “estado febril” e analisávamos possíveis soluções. Logo minha mente já fervilhava sincronizando o tema dos novos 4P’s, o incentivo de Vanessa, e meu atual estudo na linha das experiências humanas. 

Assim surgiu essa sequência, não apenas criticando a superficialidade, mas propondo que o Organizador de Eventos deixe de ser apenas um operador logístico e se torne um arquiteto de relações humanas. Espero que seja contribuição.


Contexto

Primeiramente, é necessário contextualizar que essa crescente superficialidade nas relações humanas foi notada apenas nos anos 80 e formalizada por Bauman através de seu primeiro livro Modernidade Líquida, em 2000. Mas a ideia já vinha sendo construída antes. O próprio Bauman afirma que Modernidade Líquida conclui uma reflexão iniciada em livros anteriores. Em 1980 e 1990, Bauman falava muito mais em pós-modernidade do que em modernidade líquida. Depois ele passou a considerar que o termo "pós-modernidade" era inadequado. Sua conclusão foi: “Não saímos da modernidade; a modernidade apenas mudou de estado.” 

Assim surgiu a possibilidade de conceituarmos: 


Apesar do termo "Modernidade Gasosa" ser uma contribuição analítica, há fortes referências para o termo envolvendo : Byung-Chul Han no livro A Sociedade do Cansaço e Gilles Lipovetsk no livro A Era do Vazio.


A grosso modo, no estado "Sólido", as Feiras de Negócios eram catálogos vivos. No "Líquido", tornaram-se redes de relacionamento. No "Gasoso", tornaram-se "fotos para o Instagram".

Hoje presente em todo o globo, o termo Modernidade Gasosa, já amplamente utilizado, é um estado que não existe em si mesmo de forma isolada nos negócios, nas relações pessoais, profissionais ou de consumo. O que existe hoje é uma superficialidade generalizada e pulverizada em todas as sociedades gerando uma dispersão imediatista, instantânea, num formato de instabilidade. E nesse contexto tudo é impactado, inclusive os eventos e as Feiras de Negócios. O cenário que vai surgindo é um esvaziamento de sentido.

Não quero aqui me concentrar nos conceitos de Modernidade Líquida ou na mudança para o estado “gasoso”, ou ainda prever o termo do próximo estado. Bauman não viveu para analisar profundamente uma sociedade moldada pela conectividade digital, ou pela interação contínua entre seres humanos e inteligência artificial. Deixo essa análise, conceituação e previsões de futuro nas mãos dos incríveis filósofos da atualidade.

Mas o contexto de fato é: Vivemos a era da 'viagem pela foto', onde o evento se torna um cenário de fundo e não o destino intelectual. O perigo reside no fato de que muitos gestores estão celebrando o engajamento digital (likes e compartilhamentos) enquanto ignoram o esvaziamento de sentido que ocorre no chão do pavilhão.

Considerando as Feiras, algumas Promotoras ainda continuam com o objetivo de fazer eventos cada vez maiores, com foco nos números e indicadores lindamente diagramados, esperando que estes sejam a justificativa suficiente para garantir as novas adesões. Outras Promotoras estão focadas nas experiências imersivas, tecnológicas e “instagramáveis”, esperando que os algorítmos contribuam com a divulgação. Enquanto que poucas estão concentradas no ritmo e no impacto das conexões humanas autênticas e genuínas, aquelas que transformam. Conexões sustentáveis e de longo prazo, que geram novos ciclos, que por sua vez são contínuos e duradouros. Ciclos completos que integram aprendizado, conhecimento, investimento, tecnologia, avanço, crescimento e aplicações que transcendem.


A metáfora do Farol de Transformação:

Um evento que ilumina apenas a si mesmo é um monumento ao ego da organização. Um evento que atua como Farol é aquele que projeta luz sobre os problemas, propondo soluções, impactando pessoas e transformando setores inteiros. A tecnologia robótica é fria; o Farol é calor, é guia, é visão 360º. 


Acredito que sou a caçula de uma geração de Organizadores de Eventos que respiravam e transpiravam transformação. Aprendi que os eventos devem promover luz e clareza para o caminho de todos os envolvidos, direta ou indiretamente. E neste sentido esta transformação não é alcançada por experiências imersivas, cenários ‘Instagramáveis’ ou tecnologias robóticas frias, mas sim por uma visão 360º genuína que integra o humano ao sistêmico. Estou falando aqui da autorresponsabilidade das Promotoras e dos Organizadores de Eventos em se perceberem como ‘arquitetos’ de uma nova cultura organizacional dos eventos, uma nova cultura que tenha um foco real nas relações humanas. Já é tempo dos eventos terem um novo ritmo e um campo de impacto transcendente.


Algumas sugestões para aplicar os novos 4P’s: