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Os Novos 4 P’s aplicados às Feiras de Negócios
People • Places • Plans • Projects
A metodologia dos novos 4 P’s — People, Places, Plans e Projects — constitui uma estrutura analítica distinta dos tradicionais 4 P’s do marketing. Trata-se de uma abordagem associada ao campo do coolhunting e da análise de tendências, a partir de uma perspectiva interdisciplinar voltada à leitura de comportamentos, contextos culturais e dinâmicas emergentes da sociedade.
Mais do que um modelo classificatório, essa estrutura sistematizada, desenvolvida e difundida pelo Future Concept Lab, propõe uma mudança de olhar: deslocar o foco de variáveis exclusivamente estruturais e operacionais, normalmente baseadas em métricas de performance, para dimensões humanas, espaciais, simbólicas e sistêmicas. Sua relevância reside precisamente nesta capacidade de ampliar a interpretação dos fenômenos contemporâneos.
Quando aplicada ao universo das Feiras de Negócios, essa abordagem revela camadas frequentemente negligenciadas pelos modelos tradicionais de planejamento, operação e avaliação de eventos.
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People • Places • Plans • Projects | Uma nova visão |
A aplicação em Feiras de Negócios
As Feiras de Negócios foram historicamente interpretadas sob uma lógica predominantemente instrumental. Indicadores, metas, fluxos operacionais, estratégias comerciais e análises de desempenho constituíram, por décadas, o eixo central das discussões sobre a sua eficácia. Essa leitura, embora necessária, revela-se no contexto contemporâneo, insuficiente. Eventos não se restringem à condição de plataformas transacionais. Configuram-se como sistemas complexos de interação humana, espacial, simbólica e relacional. Os eventos, hoje, são estruturas que demandam uma compreensão ampliada e integrada. Ao longo dos anos, o setor de eventos evoluiu em escala, tecnologia e sofisticação estrutural. Paradoxalmente, observa-se, em diversos contextos, a intensificação dos estímulos acompanhada por uma progressiva escassez das conexões humanas autênticas. Ambientes cada vez mais densos em conteúdo e estímulos não necessariamente se traduzem em experiências mais significativas. Sob essa perspectiva, torna-se pertinente expandir os modelos analíticos tradicionais, incorporando dimensões capazes de interpretar o evento para além da sua função primária. É nesse cenário que emerge a proposta dos Novos 4 P’s — não como substituição dos referenciais clássicos, mas como expansão interpretativa. Trata-se de um deslocamento de olhar, na busca de uma visão mais panorâmica, humana, integral, total. Mais do que instrumentos voltados exclusivamente à obtenção de resultados, os eventos passam a ser compreendidos como organismos sistêmicos, nos quais experiência, percepção, interação e significado constituem variáveis estratégicas.


