Nem todo evento grande é, de fato, grandioso.

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Nos bastidores, é a sustentabilidade, e não o tamanho, que determina a força de um evento.


Nos bastidores da indústria de eventos, existe uma diferença sutil, porém essencial, entre crescer e sustentar o crescimento.

O brilho dos grandes eventos encanta. Luzes, palcos, números impressionam. Mas é fora do palco, ou seja nos bastidores, que se revela a verdadeira força de um evento: sua coerência, seu propósito e sua consistência ao longo do tempo.

Nem tudo o que é grande é, de fato, profundo. Em alguns eventos isso fica evidente: quanto maior o público, mais complexa a estrutura e, paradoxalmente, menores podem ser as trocas reais.


Crescimento orgânico importa mais que tamanho


Crescimento orgânico importa mais que tamanho

O verdadeiro desafio não está em fazer um evento crescer, mas em mantê-lo saudável ao longo dos anos.

Eventos sustentáveis, inclusive do ponto de vista financeiro, costumam nascer menores, crescer gradualmente e respeitar uma periodicidade coerente até alcançar o seu teto natural.

Quando o crescimento deixa de ser orgânico e passa a ser acelerado artificialmente, a base se fragiliza. Curvas de crescimento excessivamente rápidas revelam estruturas frágeis. E quando a expansão se estabiliza, fica claro que o problema nunca foi crescer, e sim sustentar o próprio tamanho.

Os encontros que realmente transformam seguem outro ritmo. São menores, mais silenciosos e, por isso mesmo, mais significativos. Sua força está na escuta, na qualidade das conversas e na conexão genuína entre quem participa.

“E foi observando diferentes formatos de eventos que percebi como esse equilíbrio (entre o crescimento e a sustentabilidade) se manifesta na prática.”


Exemplos na prática


1. Eventos de grande porte insustentáveis

Há eventos cujo próprio tamanho se torna inviável quando realizados anualmente. Nesses casos, o problema está no planejamento: o formato de grande porte não se sustenta com uma periodicidade anual.

Em muitos segmentos, simplesmente não há inovação, lançamentos ou conteúdo suficiente para justificar encontros tão frequentes como os anuais. O resultado é o desgaste do público, dos expositores e do próprio evento. A depender do segmento e mercado, há eventos que devem ser bienais e não anuais.


2. Eventos com crescimento forçado

Existem eventos saudáveis, com crescimento orgânico e público fiel, que atingem um platô natural. Esse teto precisa ser identificado e respeitado.

Quando, no entanto, a promotora força números irreais, buscando públicos maiores, espaços ampliados e metas agressivas, o equilíbrio se rompe. Já vi congressos com valores de inscrição ultrapassarem o nível hierárquico do público congressista, cotas de patrocínio se tornarem inviáveis até para marcas historicamente parceiras e feiras impraticáveis fora dos grandes centros.

Nesse cenário, o crescimento imposto não fortalece o evento, enfraquece.


3. Eventos verdadeiramente sustentáveis

Eventos sustentáveis são aqueles em que o promotor respeita a curva natural de crescimento, inclusive o momento em que o evento atinge seu platô.

Quando há desejo de ampliar resultados, seja em faturamento, seja em alcance, a solução não está necessariamente na verticalização do evento, através do aumento no tamanho físico do espaço ou dos valores para Expositores, patrocinadores ou congressistas. 

Para o aumento de resultados a expansão de um evento pode acontecer de forma horizontal: através de novos formatos de participação, ações de merchandising, experiências diferenciadas e modelos de adesão mais inteligentes.


Conclusões

Cabe a promotora fazer uma leitura criteriosa da curva de crescimento de seus eventos e compreender que o verdadeiro desafio não é crescer indefinidamente, mas sustentar o próprio tamanho com qualidade.

Para os investidores, sejam Expositores, patrocinadores ou congressistas, vale observar atentamente as edições dos eventos dos quais participam. Mudanças bruscas de cidade, expansão acelerada ou aumentos significativos de valores exigem cautela.


"Impacto não se mede em metros quadrados. Mede-se naquilo que permanece depois que as luzes se apagam."

 

Crescimento orgânico importa mais que tamanho.



$audaçõe$, com visão e propósito!


Feiras e Exposições
O que todo Expositor deve saber
Por: Anne Sophie Matthey-Henry