Expositor: Seja realista em relação às suas expectativas

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O sucesso em Feiras começa antes do evento, e termina muito depois dele.



Quando os resultados não acontecem durante a Feira

Todos os anos, Feiras e Exposições movimentam milhões de reais em negócios. Ainda assim, é importante ter clareza: na maioria das vezes, esses resultados não acontecem durante o evento.

Algumas empresas que trabalham com produtos de baixo custo ou de giro rápido até conseguem fechar pedidos na Feira. No entanto, para a grande maioria dos Expositores, os resultados reais surgem semanas ou até meses depois, como consequência de um bom trabalho de follow-up e de relacionamento pós-evento.



O erro da expectativa imediata

Por isso, é fundamental se preparar para uma atuação ativa após cada Feira. Retomar contatos, aprofundar conversas, nutrir relacionamentos e acompanhar oportunidades faz parte do processo. É nesse momento que muitos negócios, de fato se concretizam.

Ainda assim, um erro recorrente persiste: muitos Expositores escolhem participar de eventos que não são adequados ao seu público de interesse. Quando os resultados não aparecem, a responsabilidade costuma ser terceirizada: culpa-se o evento, a divulgação ou até os visitantes, quando, na realidade, o equívoco esteve na escolha da Feira.


Escolher o evento certo é apenas parte da estratégia

Antes de confirmar a participação, é essencial avaliar com lucidez e critério se aquela Feira realmente faz sentido para o negócio. As promotoras podem ter objetivos variados em cada evento (divulgar um mercado, fomentar a economia regional, disseminar novas tecnologias, estimular negócios,...), mas nenhum desses propósitos, isoladamente, garante o sucesso do Expositor.

Participar por hábito, tradição ou entusiasmo costuma custar caro. Participar com critério transforma a Feira em uma ferramenta estratégica.


Alguns cuidados antes de confirmar a participação


Para tomar decisões mais assertivas, alguns cuidados são fundamentais:

  • Analisar o histórico de visitantes das últimas edições do evento.
  • Observar a curva de crescimento da Feira, que deve ser levemente ascendente. Quedas ou variações bruscas em indicadores relevantes podem sinalizar mudanças importantes de cenário.
  • Sempre que possível, visitar o evento antes de decidir expor.
  • Observar o perfil do público, a ocupação dos estandes e o comportamento dos visitantes.
  • Analisar a cadeia produtiva presente no evento, identificando o segmento de atuação dos participantes (fabricantes, revendedores, distribuidores, lojistas) e o perfil empresarial dos Expositores (indústria, atacado, varejo).

O “antes” define o tipo de resultado

O sucesso começa antes da confirmação da participação. Ele se constrói na postura estratégica da empresa, na forma como as decisões são tomadas e no grau de alinhamento dessa participação com os objetivos do negócio.

A maneira como o Expositor decide participar de uma Feira costuma conduzir a três cenários distintos:
  • Sucesso sustentável, quando a participação é estratégica, coerente e integrada ao ciclo de negócios, gerando resultados consistentes e crescimento contínuo.
  • Sucesso sofrido, quando há algum retorno, mas o processo é desorganizado, desgastante e pouco eficiente, exigindo esforço excessivo para resultados limitados.
  • Frustração e perdas, quando a decisão é tomada sem critério, gerando investimentos que não se convertem em aprendizado, relacionamento ou negócios.

Responsabilidades bem definidas

É importante deixar claro:

1. a promotora cria o ambiente reunindo o público-alvo.

2. o Expositor constrói o resultado captando, dentro desse público, o seu público de interesse.

É o Expositor quem decide pela Feira, planejando (ou não), investindo em merchandising (ou não), preparando sua equipe (ou não). É ele quem define o estande, quem escolhe os fornecedores... é o Expositor quem atua durante o evento e conduz o pós-evento. Por isso, os resultados são, essencialmente, uma consequência das suas decisões.

Sinais de alerta

Alguns comportamentos merecem atenção:

  • repetir a participação sem medir ou analisar o ROI da edição anterior;
  • transferir sistematicamente a culpa para o evento ou para a promotora;
  • não analisar dados e não ajustar a estratégia ao longo do tempo.

 

"Sem análise, não há melhoria. Sem método, não há resultado consistente."

Para refletir e responder

 

"Expositor, você está escolhendo as Feiras de Negócios ou elas estão te escolhendo? Sua participação tem estratégia ou é apenas reação ao que o concorrente faz?"




$audaçõe$, com visão e propósito!


Feiras e Exposições
O que todo Expositor deve saber
Por: Anne Sophie Matthey-Henry


Se deseja aprofundar esse tema continue a leitura:

Neste artigo, falei sobre o antes, o durante e o depois de uma Feira de Negócios de forma macro. Para um pouco mais de profundidade sobre o que envolve o planejamento, o ciclo de leads e a maturidade do Expositor, escrevi o artigo complementar.




Livros indicados sobre esse tema:

SPIN Selling por Neil Rackham

Este livro é um clássico porque muda o foco da venda imediata para o processo de construção da decisão. Ele ajuda o leitor a entender:
  • por que a maioria das vendas complexas não se fecha rapidamente;
  • como conduzir conversas estratégicas ao longo do tempo;
  • como lidar com objeções não como barreiras, mas como sinais de maturação do lead.


Good Strategy/Bad Strategy: The Difference and Why It Matters (Edição Inglês), por Richard P. Rumelt

Rumelt desmonta a ideia de que estratégia é apenas intenção ou discurso bem escrito. Ele mostra, com clareza, que:

  • estratégia envolve diagnóstico, escolha e coerência;
  • muitas empresas confundem entusiasmo com estratégia;
  • decisões ruins costumam vir de análises superficiais.


The Goal: A Process of Ongoing Improvement (Edição Inglês), por Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox

A Meta: Um processo de melhoria contínua, (Edição comemorativa português), por Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox

Apesar de ser apresentado como uma fábula empresarial, A Meta é um dos livros mais importantes sobre:

  • análise de resultados;
  • identificação de gargalos;
  • melhoria contínua baseada em dados e aprendizado.